quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Boteco Zé Mané - Um bar irreverente

Semana passada convidei uma amiga para conhecer o Boteco Zé Mané, que abriu suas portas ano passado em um antigo casarão reformado na via gastronômica de Coqueiros.

Como já mencionei, não estou acostumada a ir ao continente, menos ainda durante à noite. Saí de casa às 21:30hrs, considerando ser um horário tranquilo. Assim que meu carro colocou o bico na rua mais movimentada durante à noite de Coqueiros, fiquei em choque. Carros e mais carros! Depois de três (ou mais) voltas, consegui uma vaga supimpa para meu quatro rodas.

A noção de que encontraríamos casa cheia estava clara. Quanto mais perto estávamos, mais altos eram os burburinhos.


Fotos: Zé Mané


Ao entrar pelo portão, avistamos uma mesa vaga na área externa. A sorte estava ao nosso lado, certo? Errado. Uma atendente mencionou que aquela mesa estava reservada e espaço apenas no lado de dentro. A fila de espera para sentar ao ar livre era pequena, com duas mesas à frente. Desocupadas que estávamos, resolvemos deixar nossos nomes na lista e aguardar dentro do casarão. Seria algo normal se não fosse o fato de nunca terem anotado nossos nomes...

Pensamos em sentar no andar de cima, mas fomos avisadas de que era um ambiente bastante intimista e que a maioria das pessoas sobe apenas para jogar uma partida de sinuca.



Foto: Zé Mané


Escolhemos uma mesa aos fundos do salão interno e por lá aguardamos o cardápio. 5 minutos. 10 minutos. 15? Durante esse tempo nos entretemos com o dominó que estava em cima da mesa.






O bar disponibiliza brinquedos em algumas mesas e outros tantos pelos cantos do casarão. Avistamos um pebolim que nos deixou na vontade. Pena estar tão distante.... 

A decoração é toda baseada no tradicional boteco brasileiro, com quadros negros, garrafas e azulejos. Reparamos também que muitas frases e pedaços de letras de músicas estampavam as paredes do Zé Mané.






Surgiu uma boa ideia: mudar para uma mesa ao lado do balcão de bebidas. Lá fomos nós. Recebemos o cardápio e relembramos à atendente sobre nossa preferência em relação à área externa. Parecia que iria demorar e ninguém estava disposta a ficar de boca seca. Bebidas.

O cardápio é divertido. As cervejas, por exemplo, estão apresentadas como "Garrafa verdinha" (Heineken), "Da Sandy" (Devassa) e "Prima da Boa" (Original). Coisa de manezinho mesmo, né? Na parte "Caipirinhas cheias de gueri-gueri", escolhi a Parreirinha de cachaça (mistura de uvas, gengibre e açúcar mascavo - R$14,00). Minha amiga foi mais tradicional e sugou um chopp Eisenbahn Pilsen de 500ml (R$6,50).






Não me recordava do gosto da cachaça e após um gole da caipirinha, algumas memórias voltaram à tona e me lembrei que a primeira bebida alcoólica que ingeri foi justamente uma caipirinha de limão, aos meus 15 anos. Foi realmente um insight. Por ironia do destino ou por outros conteúdos inconscientes, desde então nunca mais me atrevi a tomar caipirinhas de tal fruta.




Comanda


Os primeiros goles foram difíceis, confesso. Posteriormente já estava achando uma delícia e praticando minha mania de morder canudos. É, estava fazendo efeito.

Inúmeras foram as chances de as atendentes olharem para nós, porém, todas fracassaram. Precisamos praticamente levantar os dedos, como se estivéssemos em plena aula de Física, para uma alma caridosa retornar à mesa. Não ousamos mais mencionar nossa vontade de migrar, e solicitamos novamente o cardápio. Não sei se foi algo pessoal, se queriam deixar nossa mesa mais bonita, enfim, mas quando colocávamos o cardápio deitadinho na mesa, era questão de segundos para alguém passar e retirá-lo. Observamos que as mesas ao redor possuíam o objeto ali, estático. Entregaram. Retiraram. Levantamos e pegamos nós mesmas. 

Voltamos nossos olhares para as comidas. A proposta do Zé Mané é oferecer comidinhas de boteco com toques açorianos. As ofertas são atrativas a partir do modo como são anunciadas: "Só pra mim", que são os pratos individuais, "Pra galera" - pestiscos, "Na panelinha" - comidinhas mais faustosas, "Fica um pouco mais meu amor" - sobremesas, etc.

Estávamos na onda de aperitivos de boteco e convocamos a porção de bolinhos de arroz (R$12,00) para passarem por uma noite divertida em nossos estômagos.







Ó, céus, que coisa bem boa. A porção é generosa e agradou a nós duas.

Eis que o álcool nos deu força e coragem e decidimos reclamar. Cliente que é ignorado tem que fazer isso mesmo: colocar a boca no trombone, mas sempre de forma educada, claro.

Logo conseguimos uma mesa na tão sonhada área externa. A atendente apontou sem olhar em nossas faces: "-Aquela mesa ali, ó!". Estávamos nos sentando quando, de repente, "-Não! Não é essa! É essa, ó!". Fingimos que estava tudo ok, nos sentamos na mesa apontada e ganhamos uma explicação "-É que aquela mesa alí tá reservada". Que mania de mesas reservadas! O cômico foi que logo um grupo de amigos se apossou da mesa em questão e questionei se eles haviam feito a reserva. "-Não. O atendimento daqui é assim mesmo... Parece que elas vão bater na gente". Ah, agora sim uma explicação plausível.

Já no lado de fora e ainda com vontade de experimentar mais alguma delícia do cardápio, escolhemos o "Sonho de noiva" (linguiça fina de pernil - R$18,00). Não me perguntem o motivo do nome, mas tenho lá minhas sugestões...

Minha amiga decidiu sair do chopp e partir para caipira também, sem deixar de ser tradicional: caipirinha de limão (R$13,00). Segundo a mesma, memórias também vieram à tona após o primeiro gole. Brenda lembrou-se de sua avó, das caipirinhas preparadas e dos almoços na casa dela. Pelo que descreveu, era um banquete para gordos, bem do jeito que eu gosto. Até brincamos que nossas vós estavam trocadas, porque a minha adora comidas leves, saladinha e come pouco.

O "Sonho de Noiva" chegou. Era uma linguiça enroladinha que levava os acompanhamentos: pães e farofa.







Por unanimidade: Quanta pimenta!

Consegui dar duas ou três garfadas em pequenos pedaços e com auxílio do pãozinho de trigo. Nossa linguiça estava absurdamente apimentada. Precisamos de cerveja para acalmar a fogaréu que acontecia em nossas bocas.

O clima do lado de fora é incomparavelmente melhor. Continuamos ali desvendando os brinquedos de lógica que estavam na mesa. Esses objetos lúdicos têm uma facilidade em fazer com que as pessoas se desliguem do mundo...

Despertamos ao ouvir a moça da mesa ao lado pedir o "Sonho de noiva" para o garçom. Quando ele colocou na mesa a mesma panelinha que há pouco tempo havia sido protagonista da nossa tragédia, obrigatoriamente nos infiltramos na conversa das duas e relatamos que a experiência vivenciada por nós tinha sido "picante". Elas deram suas garfadas e pareciam normais, nada impressionadas com o condimento da linguicinha. Ficamos embasbacadas. Eis que as caridosas colegas nos ofereceram um pedaço. Desgostosas, provamos. Acreditem, estava absolutamente diferente do famigerado "Sonho de noiva" degustado por nós duas.

Deixo aqui o registro que voltarei ao Zé Mané. Que o atendimento precisa melhorar é fato. As duas almas angelicais que nos ofereceram a linguicinha também reclamaram muito do atendimento e até nos questionaram se em Floripa era sempre assim, porque, segundo as mesmas, em São Paulo é diferente.

Não ousarei generalizar a queixa, mas que grande parte dos ambientes deixam a desejar no quesito atendimento, não há como negar.




Ambiente: ♥♥♥♥♥
Atendimento: ♥
Preço: $$
Sabor: ♥♥♥

Boteco Zé Mané: Rua Desembargador Pedro Silva, 2360 - Coqueiros. Florianópolis/SC. Tel: (48) 3204-8652.
Horário de funcionamento: Segunda a quinta 11:30/14hrs e 18:00/01hrs. Sextas até às 2hrs. Sábados 12:00/2hrs.

14 comentários:

  1. Adorei todas as descrições Prizoca! O cardápio do Zé Mané é sem dúvida muito sugestivo, achei demais hehe! Comi camarão e escondidinho que é uma delícia! Fui duas vez, a primeira o atendimento foi bom, já na segunda, quase nos expulsaram de lá, pois estava ficando muito tarde sabe. Beijos e parabéns mais uma vez pelo bom texto!

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    1. É um bar muito irreverente. Tinha tudo para ser um grande negócio! Pena esse atendimento, né? Bom, vou esperar pra ver se terei sorte na próxima visita. Espero que não me "expulsem" hahhah.

      Obrigada, Amandinha!
      Bjs

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  2. Hahahaha chorei!

    Apesar dos pesares o bar é muito legal, né? O problema é que o atendimento não pode ser tão "açoriano" quanto o bar hahaha. Quanto às comidas da minha vó... Sofri agora com aquela mesa farta e aquelas caipirinhas de limão dela. Que delícia! Amei a companhia e amei meu cabelo nas fotos, "muito muso" hahahaha. Sempre bom sair contigo, e muito melhor me meter em roubadas contigo também! Hahaha, deixo claro que voltarei ao bar porque adorei a proposta mesmo com o atendimento sendo tão primário e tão contraditório aos meus princípios, e realmente, em SP são outros 500 (sofro)! hahahahahahahaha

    Beijo Brehoff

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    1. Nossas aventuras sempre dão o que falar, hein? Espero que seja boa da próxima vez!

      Beijao

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  3. Lara de Bruchard Costa16 de fevereiro de 2012 18:02

    Tua amiga falou bem... o atendimento não pode ser tão açoriano quanto o bar, haha!

    Realmente, tem muitos lugares aqui na Ilha que o atendimento é péssimo! Os donos de restaurantes deveriam investir bastante nisso... quem não gosta de um garçom que olha pro teu rosto? E um bom garçom também é aquele que teria falado que a comida vinha com pimenta... E realmente, mistério sobre o motivo do "Sonho de noiva" ser servido de jeito diferente.

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    1. Algo tão simples, né? Os atendentes precisam estar preparados. E sim, muito mistério... Será que é efeito da 'Ilha da magia'? hahaha.
      Beijao

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  4. Olá, descobri o blog agora e estou lendo alguns relatos...
    Uma pena sua experiência com o atendimento do Zé Mané, eu descobri o bar recentemente e cheguei a ir umas 3 vezes lá, gostei muito e nunca fui mal atendida, e a comida, mmmmm, só de pensar no bolinho de peixe meu estomago chega a roncar, rsrsrs...
    Abraços.

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    1. Olá, Caroline

      Obrigada por acompanhar o blog. Pois é, essa foi uma experiência nada agradável... Infelizmente, porque concordo contigo, o bar é muito bacana. Mas, nessa semana ainda, postarei mais uma visita que fiz ao local. Já, já estará no ar.

      Bjs,
      Pri

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  5. Oi..Parabéns pelo blog..
    Quanto ao Zé Mané..Moro no estreito fui apresentado ao bar por um colega.
    Felizmente tivemos boas experiências com o atendimento que foi de primeira. Inclusive eles tem um sistema de "presentear" a mesa com a saideira Ou seja a última cerveja é por conta do garçon....rs..rs Achei simpático

    Valeu
    Alessandro Espelocini

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    1. Oii, Alessandro
      Obrigada pelo elogio. Seja sempre bem-vindo!
      Adorei a saideira! Já voltei ao bar e não ganhei essa cortesia nenhuma vez e também nunca tinha ouvido falar que algum conhecido tenha sido presenteado. Será que vocês estavam com sorte? Rs. A ideia é muito boa!
      Eu adoro o Zé Mané. Seria um dos meus bares favoritos se fossem um pouco mais organizados, mas de repente seja questão de tempo mesmo. Publiquei uma nova experiência por lá (http://www.saboreandofloripa.com/2012/05/jantando-no-boteco-ze-mane.html) e desta vez tudo ok. Um bar muito divertido. Eu indico muito e, concordo, simpático.
      Obrigada por dividir aqui tua opinião.
      Bjs!!

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  6. Materia perfeita...
    Quase um ano da materia e não mudou muito, nesses ultimos dias do ano fomos ao bar 3 vezes seguidas, o atendimento não mudou muito... mas como estavamos pra curtir, esperar foi o menor pelo prazer de comer... o que eu recomendo e não pedir uma recomendação dos garçons, por duas vezes lamentamos... uma foi a caipirinha de frutas veio bastante aguada(muito gelo pouco destilado) e a outra os bolinhos de carne seca, estavam com sabor de alimento velho, porem o bolinho de feijoada e o pastel de camarão e o bobozinho...maravilhosos... ate jaja..

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    1. Olá,
      Já tive bons e maus momentos no Boteco. Por enquanto, atendimento não é padrão...

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  7. tá aí um lugar que nunca irei.... não consigo ser mal atendida e ainda sair feliz...pra mim, não dá....gostei do seu relato que me serviu pra passar batido pelo Zé Mané....e olha que sou nascida e criada em Coqueiros

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    1. Oi, Cris!
      O Zé Mané é sempre uma incógnita no quesito atendimento, mas como gosto muito do clima e do cardápio, me rendo, mas sempre apostando que sairei satisfeita...

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